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Opinião & Realidade
          

BURACOS: EVITAR É MELHOR E MAIS FÁCIL QUE TAPAR

          A maior parte das administrações municipais enfrenta enormes e graves problemas com o insistente esburacamento de suas vias públicas. Fenômeno que também deteriora grande parte das estradas brasileiras. 

          Na maior parte das vezes esse problema é enfrentado com as conhecidas Operações “tapa-buraco”, ações corretivas altamente dispendiosas, de difícil fiscalização e que acabam por não eliminar os dissabores e prejuízos dos usuários e o enorme desgaste político/conceitual da imagem da administração pública. 

          Entretanto, é perfeitamente possível aumentar substancialmente a vida útil dos pavimentos e reduzir drasticamente a formação de buracos nos pavimentos asfálticos. E essa possibilidade advém do entendimento do que poderíamos chamar a “patologia” do buraco.

          São vários os tipos e origens dos buracos , porém perto de 80% dos buracos da pavimentação asfáltica urbana (e também da rodoviária) começam com um micro-fissuramento (uma teia de pequenas fissuras) na capa de  revestimento asfáltico. 

Micro-fissuramento inicial

Esse micro-fissuramento tem várias causas, e que podem ser evitadas em sua maioria, sem dúvida, com um melhor projeto e uma melhor execução do pavimento; no entanto, vamos nos ater agora aos milhares de quilômetros de ruas e estradas que mal ou bem já receberam a pavimentação e não vã ser tão cedo re-pavimentadas por completo. Pois bem, a água de chuva penetra através dessa zona micro-fissurada e a passagem de veículos sobre a mesma desenvolve pressões hidráulicas altíssimas no interior da capa e na base. Fato que, com o tempo, acaba por desagregar localmente essa capa, deixando soltos fragmentos milimétricos a centimétricos, evoluindo  rapidamente para pequenos buracos. 

Micro-fissuramento mais definido

Em dias de chuva, esses pequenos buracos se enchem de água, e a passagem dos pneus sobre eles “espirra” hidraulicamente aquela água acumulada para fora, carregando consigo os fragmentos do asfalto e seus componentes. Em um processo que evolui em progressão geométrica, caminha-se em curto prazo para a formação de  nossas  conhecidas “crateras”.

Estágio inicial de uma "cratera"
Estágio cratera definido pronto para aumentar suas dimensões. 

         Substituindo a tradicional Operação “tapa-buraco” por uma Operação “evita-buraco”, de caráter preventivo,  o problema poderá ser drasticamente minimizado. Trata-se da adoção de uma metodologia  apoiada na figura dos "conserveiros" (terminologia de nossas antigas estradas rurais). Seriam duplas de funcionários circulando diariamente com um pequeno conjunto, manual ou motorizado, de equipamentos e materiais (talvez a melhor terminologia para essas duplas seria “patrulhas de conservação”),  que ficariam responsáveis pela permanente conservação de uma certa quilometragem fixa de ruas ou estradas (há situações muito diversas , mas pode-se adotar uma média de 10 a 20 quilômetros por patrulha de conservação).  

          Essa patrulha teria como principal função tratar os locais com micro-fissuramento, trincas e pequenos buracos, impedindo a seqüência de sua evolução, selando fissuras, trincas e pequenas rachaduras presentes. Hoje há produtos asfálticos e poliméricos novos fantásticos para esse tipo de uso. Com isso estaria–se "esticando" a vida útil do pavimento para mais alguns anos, com enorme economia para o poder público e para os cidadãos. Em situações mais exigentes, a “patrulha de conservação” mobilizaria uma central mais equipada para as correções o que se fizessem necessárias.

             No caso urbano, com o tempo, essa dupla de “conserveiros” poderia ir agregando outras funções sociais, uma vez que ficará íntima dos moradores de sua "zona de trabalho". Anotar reclamações, sugestões, ser, enfim, um elo real de ligação da administração com os moradores. 

             Característica de enorme importância social da Operação “evita-buraco”, reside no fato de incorporar uma metodologia de trabalho altissimamente empregadora de mão-de-obra, mesmo trabalhando com produtos que possam ser considerados de avançada tecnologia. Para se ter idéia da característica social dessa metodologia, considerando os 12.000 quilômetros de ruas pavimentadas da Cidade de São Paulo, e uma relação de 15 quilômetros para cada dupla de “conserveiros”, teríamos a possibilidade de geração de 1.600 empregos produtivos permanentes, a serem idealmente contratados através de pequenas e médias empresas de serviço com sede nos próprios bairros a serem objeto da operação.

 
 
            Geól. Álvaro Rodrigues dos Santos

            Ex-Diretor da Divisão de Geologia e ex-diretor de Planejamento do IPT

            Autor dos livros  “Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e Prática” e “A 
            Grande Barreira da Serra do Mar”

            Consultor em Geologia de Engenharia, Geotecnia e Meio Ambiente

santosalvaro@uol.com.br   

 

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